Shura de Capricórnio
♑ Cavaleiro de Ouro — CapricórnioNa história de Saint Seiya, poucas trajetórias são tão tragicamente coerentes quanto a de Shura de Capricórnio. Foi ele quem matou Aioros — não por maldade, não por ambição pessoal, mas por lealdade. Lealdade a um Grande Papa que era um impostor, lealdade a uma versão do Santuário que era uma mentira. Shura enterrou seu Excalibur na carne de um inocente acreditando estar servindo à justiça. É o preço terrível da devoção sem discernimento.
Seu Excalibur o reflete: precisão absoluta, poder implacável e beleza fria. Shura não golpeia como Aldebaran, em uma tempestade de força bruta — ele golpeia como um cirurgião que pronuncia um veredito sem apelação. A lâmina cósmica nascida em sua mão direita pode cortar qualquer defesa, e seu portador tem a rigidez moral de uma lâmina: reto, inflexível, incapaz de se dobrar mesmo quando a verdade exige que ele o faça.
Talvez seja por isso que sua morte ao lado de Saga e Camus — esse triplo sacrifício para abrir o caminho ao Submundo — possua tanta força. Shura não se redime com grandes declarações: redime-se com um único ato, tão franco e definitivo quanto seu Excalibur. E em seus últimos instantes, transmitir o Cosmo de sua lâmina a Shiryu — o herdeiro espiritual de Aioros — é talvez a forma mais justa que ele encontrou para reparar o que nunca poderá ser totalmente reparado.
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