Hades
Deus do InframundoOlimpoMitologia grega · Soberano do Tártaro · Juiz dos Mortos & Senhor das Sombras
Origens & Divisão do Mundo
Hades é o filho mais velho de Crono e Réia. Como seus irmãos, foi engolido ao nascer por Crono, que temia ser derrubado por sua descendência. Libertado graças ao engenho de Zeus, participou da Titanomaquia — a grande guerra entre deuses e Titãs — ao lado de seus irmãos. Após a vitória, os três filhos de Crono sortearam o governo do universo: Zeus obteve o céu, Posêidon os mares, e Hades o vasto reino subterrâneo. Esta divisão não era um castigo, mas uma partilha equitativa das esferas cósmicas.
Hades reina sobre o mundo dos mortos a partir de seu sombrio palácio, ao lado de sua esposa Perséfone. Contrariamente à imagem de deus maléfico frequentemente associada ao seu nome, Hades nos textos antigos é um deus justo e implacável — não cruel, mas inflexível. Ele acolhe todas as almas sem distinção, ricos e pobres, heróis e covardes. Seu reino é neutro: nem punição nem recompensa automáticas, mas uma existência apagada nos asfódelos para a maioria dos mortos.
O Rapto de Perséfone
O mito mais célebre ligado a Hades é o rapto de Perséfone, filha de Zeus e Deméter, deusa da colheita. Apaixonado pela jovem deusa, Hades obteve o acordo secreto de Zeus e a raptou enquanto ela colhia flores em um prado na Sicília. A terra se abriu e o deus do Inframundo a levou em sua carruagem negra. Deméter, desesperada, abandonou suas funções divinas: a terra ficou estéril, as colheitas pereceram e a humanidade foi ameaçada pela fome.
Hermes foi enviado ao Inframundo para negociar o retorno de Perséfone. Hades consentiu, mas antes havia oferecido à jovem deusa algumas sementes de romã — símbolo do casamento e do Inframundo — que ela havia comido. Este gesto a prendia parcialmente ao reino subterrâneo. Um compromisso foi alcançado: Perséfone passaria cada ano uma parte do tempo no Inframundo com Hades, e a outra com sua mãe na Terra. Este mito explica o ciclo das estações: o inverno e o outono correspondem ao luto de Deméter, a primavera e o verão à sua alegria de reencontrar a filha.
O Reino dos Mortos
O reino de Hades é uma geografia precisa na mitologia grega. As almas dos mortos cruzam o rio Estige — rio do Juramento — conduzidas por Caronte, o barqueiro do Inframundo, desde que carreguem um óbolo colocado sob a língua ou sobre os olhos durante os funerais. Sem esta moeda, as almas erravam cem anos na margem. Na entrada, Cérbero — o cão de três cabeças — impede os vivos de entrar e os mortos de sair.
O julgamento das almas é proferido por três juízes: Minos, Éaco e Radamanto. As almas virtuosas iam para os Campos Elísios — paraíso luminoso. Os heróis extraordinários acessavam as Ilhas dos Bem-aventurados. Os criminosos eram punidos no Tártaro — abismo onde Sísifo rola sua pedra, Tântalo sofre um suplício eterno, Íxion gira em sua roda de fogo. O próprio Hades possuía um elmo de invisibilidade, forjado pelos Ciclopes — o mesmo dom que fizeram a Zeus (o raio) e a Posêidon (o tridente).
Em Saint Seiya
Saga do InframundoEm Saint Seiya, Hades é o antagonista principal da Saga do Inframundo — arco final da série original. Ele se reencarna no corpo de um jovem e levanta um exército de Espectros — seus guerreiros — para invadir o Santuário de Atena e destruir a humanidade. Esta confrontação final entre o deus dos mortos e a deusa protetora da vida reproduz fielmente a tensão mitológica entre Hades e Atena, representantes de dois poderes cósmicos irreconciliáveis.
Kurumada se inspira diretamente na geografia do Inframundo antigo: a prisão Tártaro, os rios infernais, os Campos Elísios. Os Cavaleiros de Bronze devem atravessar esses círculos para chegar ao palácio de Hades — uma descida ao Inframundo que lembra as catábases heroicas da mitologia: Héracles acorrentando Cérbero, Orfeu buscando Eurídice, Eneias visitando seu pai. A Saga do Inframundo é assim uma das adaptações modernas mais fiéis ao espírito do além grego antigo.
Atributos


Rios do Inframundo