O Hypermyth de Saint Seiya
A mitologia oficial aprovada por Kurumada · Cosmo Special, agosto de 1988
O que é o Hypermyth?
O Hypermyth é um texto oficial aprovado por Kurumada, publicado no livro de dados Cosmo Special em agosto de 1988. Constitui a mitologia de Saint Seiya, oferecendo uma mistura engenhosa de mitologia grega, lendas e religiões, com o objetivo de explicar detalhadamente o universo de Saint Seiya.
Como o texto original está em japonês, as informações aqui apresentadas baseiam-se em pesquisas online e artigos previamente publicados. O Hypermyth é considerado o texto mais importante na "ciência de Saint Seiya".

A Criação do Universo
No princípio, havia apenas o vazio. Desse vazio nasceram duas entidades espirituais, Gaia e Urano. Da união dessas duas entidades nasceram as primeiras divindades materiais — os Gigantes e os Titãs —, que por sua vez geraram outras divindades como Zeus, Poseidon, Hades, Ares, etc. Gaia pediu então aos Titãs, em particular a Cronos, que criassem o BIG BANG.
A imensa e incalculável explosão do Big Bang gerou uma força extraordinária: a Grande Vontade (Big Will). Sob a forma de fragmentos luminosos, começou a percorrer o universo dando origem — ao colidir com fragmentos do espaço — a planetas e estrelas.
Neste universo, três essências divinas nascidas da Grande Vontade estão na origem da criação da Terra: Gaia, divindade da terra; Urano, divindade do céu; e Pontos, divindade do mar.

A Humanidade e a Era dos Deuses
Quando a Terra foi criada, estava deserta. Foi Prometeu, filho do titã Jápeto, quem moldou o homem a partir de barro, à imagem dos deuses. Depois, Atena lhes concedeu uma alma através da Grande Vontade.
O ser humano foi dotado de cinco sentidos: visão, olfato, paladar, tato e audição. Com o tempo, alguns desenvolveram um sexto sentido — a intuição. Ao aprofundar o conhecimento do cosmos, certos indivíduos alcançaram o sétimo sentido, a essência do seu cosmos — depois o oitavo sentido, chamado Arayashiki, que lhes permite preservar a vontade no reino dos mortos. O nono sentido representa a imortalidade da alma: a própria Grande Vontade.
Após a criação da humanidade, alguns deuses escolheram reencarnar nos homens. Zeus, Poseidon e Hades foram dos primeiros a tornarem-se humanos antes de despertar para a Grande Vontade. Dividiram então os reinos: Zeus sobre a terra, Poseidon sobre os oceanos, Hades sobre o reino dos mortos.
É neste momento que aparece um dos maiores mistérios do Hypermyth: a partida de Zeus para os céus. Atena, nascida armada da cabeça de Zeus, tornou-se a guardiã da terra e da humanidade — o que despertou a cobiça dos outros deuses e desencadeou as primeiras guerras santas.

O Nascimento das Armaduras
Poseidon reuniu sete poderosos guerreiros dos sete oceanos — os Marinas — e ergueu a fortaleza de Atlantis. Perante esta invasão, Atena enviou os seus guerreiros para o combate sem armas nem proteção. A derrota foi total.
Recusando-se a ver os jovens guerreiros sofrerem, Atena recorreu aos alquimistas do continente de Mù. Para forjar as armaduras, utilizaram Oricálcio de Gammanion e pó de estrelas. As 88 constelações, por iniciativa de Atena, serviram de modelo. A hierarquia foi estabelecida:
- 12 Armaduras de Ouro — as mais poderosas, ligadas às constelações do zodíaco
- 24 Armaduras de Prata
- 48 Armaduras de Bronze
- 4 Armaduras de origem desconhecida, envoltas em mistério
Estas armaduras eram compostas de pó de estrelas, o que as tornava seres vivos, pois continham a Grande Vontade. Graças a elas, os jovens guerreiros conseguiram repelir os Marinas — mas Poseidon, furioso, desencadeou enormes maremotos sobre a Terra. Apenas Noé, com a sua arca, conseguiu sobreviver.

As Guerras Santas
Atena enviou os seus oito guerreiros mais poderosos a Atlantis para pôr fim à guerra de Poseidon. O espírito de Poseidon foi aprisionado numa urna sagrada, sob a guarda dos Guerreiros Divinos no Polo Norte. Houve ao todo sete grandes confrontos entre Poseidon e Atena.
Mais tarde, o Santuário de Atena foi construído, com as suas doze casas protegidas pelos Cavaleiros de Ouro. Os primeiros a atacar foram os gigantes durante a Gigantomaquia. Depois veio Ares, deus da guerra, com os seus temíveis berserkers divididos em quatro exércitos — o fogo, as chamas, a desgraça e o terror.
Os 58 Saints ativos não puderam resistir. Atena autorizou então o Cavaleiro de Libra a usar as suas armas especiais. Ares foi expulso para o reino dos mortos, junto a Hades, que sempre o apoiou — os conflitos de Ares fornecendo ao seu reino um fluxo constante de almas.


A Guerra de 1743 e os Cavaleiros Negros
Na ilha da Rainha Morta, parte do antigo continente da Atlântida, um saint descobriu numerosas armaduras, várias delas negras. Cavaleiros rejeitados da ordem decidiram apoderar-se delas — espalhando apenas ódio e violência. Atena decidiu então isolar a ilha com o seu selo, enviando o seu cavaleiro mais cruel, Guilty, condenado a combater os Cavaleiros Negros e a usar uma máscara que era, na verdade, o selo de Atena. Quem a quebrasse ficaria com as armaduras ocultas na ilha — incluindo a mais poderosa armadura de bronze, a da Fénix.
Foi em 1743 que Hades, em busca de vingança, declarou uma nova guerra a Atena — a mais terrível para a ordem dos Saints. Dos 79 Saints envolvidos, apenas dois sobreviveriam: Dohko, Cavaleiro de Ouro de Libra, e Shion, Cavaleiro de Áries. Compreendendo que esta guerra era apenas o prelúdio de futuros conflitos, Atena confiou a Dohko a guarda da torre dos 108 Espectros, e a Shion o papel de Grande Papa para formar uma nova geração de Saints.

Conclusão
O resto, todos conhecem — começa com os episódios G e continua pelo capítulo do Santuário, dando origem ao formidável anime que todos adoramos. O Hypermyth está intimamente ligado à mitologia grega, e as inúmeras questões que levanta encontrarão certamente resposta na mente desse grande homem, Kurumada, que nos permitiu viver esta extraordinária saga.
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